Igreja de S. Brás

Igreja de S. Brás - Igreja Matriz - 1629

​​​Iniciada sob os auspícios de D. Teotónio de Bragança, Arcebispo de Évora em 1580, a atual igreja de S. Brás da Granja teve acabamento monumental na colocação de distintos portais exteriores e acréscimo de torre sineira, cuja saliência de base resulta do prolongamento da cornija de fachada. O portal dianteiro, com a inscrição de 1629, assinala-se como um conjunto de elementos clássicos que vieram rodear a entrada de colunas eruditas e frontão triangular interrompido, envolvendo o escudo régio e a Cruz de Avis. Remontando as origens da localidade à ocupação rural do séc. XIII, promovida pela Ordem dos Hospitalários (depois Ordem de Malta), ficou o topónimo Aldeia da Granja do Hospital, a qual, em inícios do séc. XVI, passou para a comendadoria da Ordem Militar de Avis, justificando o símbolo da entrada. A esse período correspondeu o arranjo do primeiro templo paroquial, que era um edifício gótico, entretanto substituído pela presente obra que o dotou de maior escala e de altura. Pertencendo deste modo à série de programas de estilo maneirista que, durante a época filipina, refundaram igrejas no Alentejo sempre no ponto mais alto das aldeias, a Igreja de S. Brás tornou-se ainda mais visualmente dominante. O segundo portal exterior, da mesma época, doação particular de D. Isabel Piteira, preferiu igualmente as formas clássicas. Destaca-se na nave, com cinco tramos amplos, o Altar lateral de Stº António e o Púlpito de onde se lia o Evangelho. Ao lado da cabeceira, distribuem-se as capelas do SS Sacramento, encimada pela Cruz de Avis e comportando retábulo, e das Almas, com Irmandade própria, sendo dos cultos mais importantes da época. Em 1602, instituíra-se sob licença do Arcebispo D. Teotónio outro altar com Irmandade, consagrado a Nª Srª das Neves. As confrarias reuniam-se na Sacristia, onde se guardavam os utensílios cultuais, e para onde, na década de 1620, se lavrou ainda um Lavabo. A igreja conheceu outra renovação depois de 1760, subsistindo o intenso programa decorativo da cabeceira, desde a aplicação de pintura nos pilares e arco divisório ao Altar-mor e seu retábulo esculpido com fundo cromático e relevos a revestimento dourado, além das pinturas alusivas a Nª Srª da Conceição sob a cobertura, tendo em nicho central a imagem de S. Pedro, acompanhado de outras figuras santas. Presumivelmente ainda da década de 1620 é o quadro da Capela das Almas, acompanhado de duas pequenas telas em pódio, exibindo Cristo encimando a figura do Arcanjo S. Miguel com a balança do Julgamento das Almas do Purgatório, composição já de gosto barroco, sobrecarregando a forte cor a representação do ajuntamento penitenciador.

Manuel F.S. Patrocínio - Historiador


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Igreja de S. Brás Granja

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